terça-feira, 14 de abril de 2009

Infantes


E pôs Deus na terra um ser espontâneo
Tal a criança que não esconde sua falha
A mercê de sua essência, instantâneo
Vítima da vida, ou coisa que o valha

Penso que Deus muito amou o homem
Esse sujeito que não segue convenções
Nem se importando se por doido lhe tomem
Seguindo a vida com suas tradições

Se nervoso, explode, não vai disfarçar
Se ao choro resiste, é pra evitar a vergonha
Têm nó na garganta, isso o vai delatar
Se a força é sumida: por desculpas não sonha

Em ciúmes ardeu, ao desejo do homem
Que sentia-se só, sem expelir sua vida
O ser exigente, que a confiança consome
Foi dado pra ele. Começa então sua lida.

Aí estão elas, a mirar inocentes
Foram feitos gaiatos para esse cinema
À tragicomédia assistem, impertinentes
Impassíveis os vêem viver o dilema

Disputam esse autêntico, o céu e a terra
Que possui o dom dos extremos louvar
Deus e a mulher, em constante guerra
Pela alma do homem que os pode exaltar

Quem fará para ele uma boa armadura,
Que o possa blindar do rubor inerente?
E com isso poupar sua alma sem cura
Das feridas e cortes que lhe afligem sempre?

(Fernando Vieira, 30/10/2008)

5 comentários:

  1. Hoje estou mais burra, ou com menos senso literário, ou sei lá...
    Mas confesso que estou relendo muito para encontrar o nexo, a essencia, ou sei lá...
    :o)
    Dizem que isso é interessante!

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  2. huuummmm.Confesso que nas primeiras linhas identifiquei alguns traços de uma pessoa que me é mto próxima, que tem "dedos" pra se expor...rs
    Mas depois, fiquei confusa....kkk
    bjo
    mto lindooooooo

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