quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SOCORRO!



Socorro eu sinto demais!
A mínima fagulha, o insuportável.
Pra piorar, me deram um peito forte,
Que agüenta bem demais.

Socorro eu não consigo explodir!
Me acostumei a resistir a tudo,
A ranger os dentes, a calar meu grito
E a não molhar os olhos.

Socorro, ainda que não seja um berro,
Pois o desespero é real!
E meu silêncio apenas o jeito certo de ser.
É o meu jeito de balburdiar comigo mesmo.

Socorro porque não choro e, no meu caso,
Não chorar é chorar demais!
Há tempos que não venho chorando
E não chorar dói demais.

Socorro, alguém me ajude!
Ajude a esse homem solitário,
Que sabe muito bem qual caminho não vai seguir,
Mas não segue pelos caminhos que gostaria de ir.



(Fernando Vieira – Verão 2009).

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