segunda-feira, 1 de março de 2010

O Sorriso de Fabiana




Catástrofe anunciada:
Os astros aqui descerão,
A galáxia roubada,
Perdida na escuridão.

Não haverá quem te defenda.
Sim, eles vêm em teu encalço.
Embora eu não queira que se renda,
Ninguém pode jurar em falso!

Ta na cara que a culpa é tua:
Se hoje o universo é treva,
E não há mais a luz da Lua.
Roubaste, sim. Te entrega!

Ou, como explica esse sorriso,
Tão puro e iluminado,
Que deixa o Homem perdido
Embarcar no trem errado?

Confessa-te á Santa Sé
E põe fim ao teu julgamento
Antes que te proclamem ré
Pois é breu o firmamento.

Promete que todo santo dia
Darás esmolas do teu sorriso.
Dá tua luz às estrelas frias
E a quem te escreve sem muito brilho!



(Fernando Vieira - Para Fabiana- Verão de 2010)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Leco-leco


O Leco que é reto,
Pediu-me este treco,
Estand'ambos num lero,
Abaixo de um teto.

"Leco de perto
Leco no beco
Um teco de Leco
É mais que dois terços.

Na cena não perco
Um lance do Leco.
Se o palco está seco
É porque não está perto.

O Leco é o eco
De todos Lelecos
Que inspiram os Nelsons
Que escrevem tão certo!"

Liberto não peco,
E a favores não meço:
Com versos no metro
Presenteio-te Leco!


(Poema "pago" ao Leco - Vocês são minhas testemunhas).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Dia chuvoso, lembrança ensopada.

Cai a chuva durante o dia
Ensopa a cidade, entupida
As águas cobriram a via
A via por baixo trepida.

Chove tua imagem na calha
A calha que eu tinha entupido
Julgando não ver tua cara
Se um dia tivesse chovido.

A água que molhava a terra
Descia pela galeria
Subindo em silêncio, não berra
Em breve o chão ruiria.

Cai o teu nome no peito
Ensopa minha solidão
As águas subiram do leito
Das veias do meu coração.


(Fernando Vieira - Sobre a reaparição de Patrícia - 01/02/2010).