segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Valéria




Feitiço que você lançou
Suspende minh’alma no ar
Saída de mim, postada à minha frente,
Querendo a sua alma abraçar

Um beijo, ou suspiro? Não sei.
Tremi quando enfim percebi
Que em sua boca eu buscava meu ar
Feliz por apenas lhe olhar.

Você tomou conta de mim
Com sua voz rouca de vento
Eu, uma folha a voar.
Seu corpo, no meu, resvalar.

O Feitiço em pessoa é você.
Diariamente é você.
Se faz tão presente, quiçá lhe tocar
Me abraça, me dá seus cabelos, te quero...

Não posso negar.

(22/10/2008 22:15)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Hoje em dia

Elas reclamam a liberdade
Por anos de opressão
Em que sofreram crueldades
Mas eu não fiz nada não.

Elas querem a primazia
A plena satisfação
Pois, reputadas por vasilhas,
De mim tive de abrir mão.

Eu que sempre ganhei pouco
Ouço orgulhos e ameaças
E, valorizado seu soldo,
Tudo é motivo para farsas.

Hoje em dia é bom ser estéril
Do contrário viramos escravos
Ter filhos dá cana, é sério.
Um Sim na igreja é pior que dois travos.

E assim gira a Terra
O constante passa e repassa
Contra elas, fizeram guerra
E homens de hoje, herdam a desgraça.


(Fernando Vieira, 10 de novembro 2008).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Vida É Ressaca


O que não me cabe no peito
Deve ser solto aos poucos
Em cada estrofe, num verso.
Vai ser um poema longo.

O nevoeiro da vida
A treva tão espessa e branca
Ouvidos tapados, cadê meu grito?
Estou cansado, eu quero chorar.

Alma úmida e gelada
Faz os dentes morderem-se
Há tantos galhos pra podar
De tantas coisas falarei:

Essa sua ausência,
Que me põe triste e servil.
A ausência da luz
Que não me deixa dormir.

Perguntas que não me atrevo
Não quero expor minhas fraquezas.
Descobrir o indecifrável
Temer o seu segredo.

Engolir meu pranto,
Não há quem queira enxugá-lo.
Haveria alguém digno de minhas lágrimas?
Secar não basta. É preciso bebê-las.

Estou sozinho!
Que pecado cometi?
Fui feliz em outra vida?
Neguei ajuda a toda Terra?

Só, não fossem meus eus!
São eles que me acompanham
Ora me dando acordo, ora me afrontando.
Então eu estou só, é isso mesmo?

Preciso endurecer,
Enrijecer o peito,
Não contar com ajudas,
Não abrir a palma da mão.

Quero voltar à estupidez,
Estandartizada por minha adolescência.
Quando eu era um mero arrogante
Que não contava com ninguém.

Quero descrer de uma vez só na vida
Jogar fora o defeito da esperança
Que há tanto tempo trago comigo.
Esquecer a minha religião.

Pra adiantar de vez minha vida
Por minha força apenas, segundo meus meios
E se isso significar a abreviação da vida,
Que sejam cortados meus dias e adiantada minha paz.

Que um milagre me cure dessa ressaca
Que insiste em me arrancar e devolver
Tudo o que na minha vida não anda
Maldito fluxo e refluxo!

Quisera eu desvendar os segredos de Deus
Mesmo que eu morresse em seguida
Já não sei o que mais importa:
Viver ou saber. Só quero ser feliz.

Que meu corpo tenha força outra vez
Só por agora, nesse momento,
Pra que o choro seja posto fora,
Aqui dentro não dá, é apertado demais.

(Fernando Vieira – 09/08/09 – Sobre a ausência que é presente na vida).