segunda-feira, 16 de março de 2009

DESEJO


E se eu não tivesse que dizer nada
E o Senhor me respondesse?
E se eu pudesse ser tudo o que sou
Sem me preocupar contigo?

E seu eu acreditasse, mesmo, na fé que professo?
De forma que meu pecado se fizesse graça?
E, dessa forma, fazendo uso do meu erro
Como a serpente no deserto, encontrasse a cura?

E se tudo isso for verdade e eu só tenha medo?
E se o medo fosse embora e com ele minha fraqueza?
E se não houvesse nenhum “mas”? Pois é ele o meu problema.
E se eu, simplesmente, cresse?

Se eu tivesse coragem, se fosse um inconseqüente,
Eu pegava agora meu desejo e fazia pecado.
Eu pagava pra ver, eu quebrava os limites,
E ainda gozava tranqüilo o seu perdão.

(Fernando Vieira – última semana de verão/2009)

quinta-feira, 12 de março de 2009

TARA


Bota aquele vestido
Aquele verde musgo
Que me enleva a libido
E faz mexer-me brusco



Deixa eu pensar em você
Toda suja de glacê
Do jeito que eu quiser
Vivamos nosso affair







Minha mão no seu joelho
Subindo, lhe arrepia toda
Fazendo subir os pelos
Verte de sua flor a gota

Sem poder resistir
Me solta seus suspiros
Desejo que não pode inibir
Me leva pros seus retiros
(Fernando Vieira - para Lilian)


























quarta-feira, 4 de março de 2009

A PESCA



Procurando na rede uma imagem
Que me lembrasse seu verde vestido
Dei de cara com esse lindo visage.

Seu retrato à deriva, solto no espaço,
Esperando por mim, quem sabe?
E eu lhe encontrei num mundo vasto!

Dá uma olhada, em você mesma, agora!
Enquanto medita sobre esse encontro,
Que destino é esse que a gente ignora?

(Fernando Vieira – sobre o acaso – 04/03/2009).